Claustrofobia: Resenha do show e Entrevista.

A banda Claustrofobia fez um show no dia 05 de maio, na cidade de Bauru, no Jack Music Pub. É a primeira vez que a banda pisa em solos bauruenses, e essa espera toda valeu muito à pena.
O show contou com a abertura da banda StoneDrunk. Com uma energia incrível, a banda agitou e contagiou com sua energia o Jack Music Pub.
Ao entrar no palco a recepção foi mais do que calorosa. Tanto do público, quanto da banda, pode-se perceber ali uma alegria imensa de fazer aquele show e de estar ali. Começando o show com Metal Malóka, pudemos perceber um repertório um tanto quanto flexível, tanto de músicas antigas quanto do novo álbum “Peste”, que foi muito bem aceito pela crítica.

Com muita presença de palco e contato com o público, a banda fez todo mundo ficar sem voz, do começo ao fim do show os headbangers cantavam as músicas e batiam cabeça, numa empolgação vista poucas vezes.
Entre as músicas do setlist, uma homenagem aos companheiros brazucas Ratos De Porão. Ainda em seu setlist, músicas como ” WAR STOMP”, “PINU DA GRANADA”, ” ALEGORIA DO SANGUE”, uma do Sepultura também esteve presente, ” ARISE”, “TERROR AND CHAOS”, “PESTE” e o hino mais do que conhecido por todos, “PAGA PAU”.

Ao final do show a banda se reuniu ao público, atendendo à todos os fãs, tirando fotos e dando atenção especial à quem esperou ali por eles. Humildade e profissionalismo, é isso que posso dizer da banda.
O mais recente trabalho do Claustrofobia, ganhou uma repercussão extremamente positiva em todos os veículos destinados ao metal. Com isso, o Blendup conseguiu uma pequena entrevista que vai abordar um pouco deste trabalho, quais as expectativas para os próximos trabalhos da banda e novidades, e falar sobre o show que aconteceu em Bauru neste sábado,dia 05.Lembrando aos leitores que essa entrevista foi feita antes do show.

Neste novo trabalho, a banda chegou a gravar uma faixa com um grupo de samba de raiz chamado Batuque de Corda, “Nota 6.66″. De onde surgiu essa idéia?

Alexandre: Os caras deste grupo “Batuque de Corda” ensaiavam no estúdio do Claustro, que era do Marcus e do Caio, e em uma ocasião o Caio montou uma sequência retirada do ensaio dos caras utilizando uns breques e tudo mais pra colocar as guitarras sobre isto. Ao mesmo tempo, eu já estava no processo do meu projeto “Metal Brasileiro”,que vou comentar em umas das perguntas abaixo; estava trabalhando exatamente sobre o samba na época, e em um dos subgêneros do samba que é o Samba Enredo ou Samba de Avenida, eu precisava exatamente de uma escola de samba ou de um grupo de samba de raiz para gravar e exemplificar isto no livro. Então aproveitamos a mesma faixa para fazer parte do disco do Claustro e para fazer parte do livro “Metal Brasileiro”. Mas na verdade isso é uma idéia de um tempão atrás, lembro até de conversar com o Marcus sobre isso quando estávamos gravando o disco “Fulminant”.

O álbum também trouxe o diferencial por ter sido cantado inteiramente em português, houve alguma dificuldade nesse sentido?

Alexandre: Exatamente, é todo cantado em português. Em relação a dificuldade, pelo contrário, quando a gente vai fazer som em português sai mais rápido e direto. Acho até que é uma questão de postura mesmo, a gente já tem essa idéia na cabeça de ser mais direto e mais espontâneo quando vai compor as músicas em português. Há um bom tempo também que a gente grava músicas em português, mas desta vez resolvemos fazer um disco inteiro. Era uma idéia antiga e muitos fãs pediam isso pra gente.

Alexandre, você tem uma formação em música pela FAAM com pós graduação em Linguagem Musical pela Faculdade de Música Carlos Gomes e Docência Superior em Música-FAAM, em algum momento isso atrapalhou na hora de fazer metal ou você conseguiu acrescentar outros estilos que aprendeu durante sua formação na hora de compor os riffs?

Alexandre: Com certeza ajudou. Estou sempre formulando coisas e experimentando uma porção de elementos advindos de outros lugares. Não só o material musical em si, mas diferentes propostas ou idéias que estudei ou pesquisei vindas de outras áreas, gêneros, estilos etc. Quando se trabalha com arte de fato, está sempre à procura de novas formas e idéias, novos caminhos, diferentes elementos e abordagens.

Conte um pouco sobre o livro que está lançando, o “Metal Brasileiro: Ritmos Brasileiros Aplicados na Guitarra Metal – Novos Caminhos para Riffs de Guitarra”. Daonde surgiu a idéia de abordar esse tema, o contexto do livro.

Alexandre: Vou começar explicando sobre o livro. Como o próprio título diz, utilizo os ritmos brasileiros como uma ferramenta nas diferentes formas de execução de palhetadas e riffs característicos do gênero do metal. Este é o primeiro volume de uma Série e nele abordo somente o ritmo do samba. Cataloguei diversas células e frases rítmicas características deste gênero, além dos diversos subgêneros como Partido-Alto, Samba-Funk etc. Então, por exemplo, o telecoteco, que é uma frase rítmica característica do samba, mostro possibilidades de execução voltado ao metal.
O objetivo é voltado tanto para o desenvolvimento técnico, ligado principalmente à mão direita por causa daquelas palhetadas características do metal quanto para proporcionar novos caminhos na criação de riffs de guitarra.
O livro acompanha um CD com 64 faixas, com tracks de estudos e exemplos. Inclui um som do Claustrofobia também.
Um ponto alto que considero são os exemplos em que um riff que nasceu de uma levada de samba, mostro na levada de samba e exatamente este mesmo riff mostro em cima de uma levada de metal em seguida. Seu eu não falasse pra você que o riff foi inspirado numa levada de samba você não saberia que viria daí, este é o “barato”.
O Andreas Kisser (Sepultura) escreveu o prefácio, o que é uma grande honra. A capa foi desenvolvida pela o Alex Spike, o mesmo cara que fez a arte do “Peste”.
A idéia do livro nasceu sobre estudos que fazia sobre esses ritmos pra eu mesmo praticar diferentes pegadas de palhetada e também criar diferentes riffs para as músicas do Claustro. Percebi que sempre aparecia novas idéias e me levava para diferentes caminhos construir riffs sobre esses elementos. Então passei estudar livros de bateria e percussão na guitarra, tanto que o foco do livro é a parte rítmica. Uma coisa legal que tem por trás disso, é que este é um artifício para dar um empurrão na criatividade. Não é sempre que você pega o instrumento e sai coisas interessantes, portanto esse é um bom caminho para ajudar na “inspiração”, aliás esta idéia é uma adaptação que fiz de uns estudos que tinha numa aula de composição do grande professor e compositor Celso Mojola.
Bom, vi que dava pra transformar esse material em um livro, pois tem uma grande pesquisa por trás e não existia esse material no mercado.
Estou finalizando a versão em inglês agora e também negociando uma distribuição, portanto em breve estará no Brasil inteiro. Por enquanto pode comprar diretamente comigo alexandredeorio@yahoo.com.br
Confira o site www.metalbrasileiro.com que vai encontrar exemplos musicais e um vídeo de lançamento sobre o material.

Sobre o show que acontecerá em Bauru agora neste sábado, o que os fãs podem esperar?

Alexandre: Foi nosso primeiro show em Bauru. Já rolava um contato há muito tempo atrás, mas nunca tinha dado certo, mas finalmente rolou. Agradecemos a receptividade, o show foi intenso com a galera cantando as músicas e “batendo cabeça”. Mesclamos um pouco os sons antigos com músicas do novo álbum e vimos que a galera já sabia as letras do “Peste”.

A banda tem algum novo projeto em vista para o próximo ano?

Alexandre: Já temos algumas músicas novas quase prontas e temos também várias outras idéias “guardadas na gaveta” para serem aproveitadas. Pretendemos no ano que vem sair em turnê na Europa, ainda estamos negociando isso.

Podemos esperar no próximo trabalho do Claustrofobia, a inclusão de algum outro ritmo brasileiro?

Alexandre: Na verdade isto sempre teve e sempre vai ter, é que nunca comentamos, até porque não utilizamos esses elementos sempre e em todas as músicas, e quando utilizamos é de uma forma implícita e não explícita. Um exemplo, tem um riff no I See Red que é inspirado em frevo e ninguém sabe disso. Com certeza haverá algumas coisinhas no novo álbum, inclusive terá algumas coisas do livro “Metal Brasileiro”.

Sobre o recente escândalo do M.O.A e as declarações de vários músicos do cenário metal brasileiro acerca do ocorrido, vocês acreditam que a cena está desunida? Qual é o posicionamento de vocês quanto a cena brasileira?

Daniel: Isso nao foi questão de desunião. Foi total falta de profissionalismo dos organizadores, falta de respeito com as bandas e principalmente com o público que pagou para estar lá. Infelizmente teve repercussão mundial e só queimou mais a cena do Metal no Brasil. Com isso, muitas bandas internacionais podem deixar de voltar.
Alexandre: Realmente lamentável. Deram um passo maior que a perna. São organizadores que não conseguem nem fazer um show decente com três bandas nacionais quanto mais um festival deste porte. Total descaso com o público e com as bandas, porém tem que tirar o chapéu para os bangers que estavam lá e permaneceram ali ainda dando maior força. Realmente uma pena porque quando soube que ia rolar esse festival no Maranhão, achei demais, pois o público do norte e nordeste é foda, comparecem e são sempre uma energia os shows lá. Eles são sedentos por grandes shows.
Ainda bem que há grandes e ótimos festivais por lá como o Abril pro Rock em Recife, Festival do Sol em Natal, ForCaos em Fortaleza, são alguns exemplos.

 

Gostaria de agradecer ao Alexandre De Orio, Marcus D’Angelo, Daniel Bonfogo, Caio D’Angelo pela recepção após o show e pela entrevista concedida e pela simpatia e o bate-papo pós show. Espero revê-los em Bauru em breve pra mais um show incrível como esse.